“O
amor cobre todas as transgressões.”
19.
PERSONALISMO
"O egoísmo se funda na importância da personalidade;
ora, o Espiritismo bem compreendido, repito-o, faz ver as coisas de tão alto, que o sentimento da personalidade desaparece de alguma forma perante a imensidão.
Ao destruir essa importância, ou pelo menos ao fazer ver a personalidade naquilo que de fato ela é, ele combate necessariamente o egoísmo. "
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Terceiro. Capítulo XII. Perfeição Moral. Parte da resposta à pergunta 917.)
ora, o Espiritismo bem compreendido, repito-o, faz ver as coisas de tão alto, que o sentimento da personalidade desaparece de alguma forma perante a imensidão.
Ao destruir essa importância, ou pelo menos ao fazer ver a personalidade naquilo que de fato ela é, ele combate necessariamente o egoísmo. "
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Terceiro. Capítulo XII. Perfeição Moral. Parte da resposta à pergunta 917.)
Entre as expressões do egoísmo, vamos encontrar
precisamente na grande maioria personalista as diversas formas de
comportamento, e mesmo a maneira de ser, caracterizadas pelo estado íntimo de
rigidez e de autoconfiança nas ideias ou opiniões próprias. Esses tipos de
indivíduos, pelas suas atitudes, acarretam, quase sempre, conturbações no
convívio em grupos.
Vejamos
alguns dos aspectos reconhecidos nas pessoas predominantemente personalistas:
a)
Suas opiniões
ou pontos de vista são sempre os certos e os que devem prevalecer aos dos
demais;
b)
As
experiências próprias são aquelas que servem de referência a resultados que se
discutem com outros, desconsiderando em igual importância as experiências do
próximo;
c)
Em sociedades,
as suas decisões e iniciativas, quando em cargo de mando, são quase sempre
tomadas sem a participação dos demais;
d)
Na condição de subalterno, nega-se à
colaboração de um plano ou projecto quando sua ideia ou parecer não é aceito
numa escolha em grupo;
e)
Melindra-se na
sua auto-importância quando não convidado a participar com destaque nas
decisões relativas a empreendimentos do círculo que frequenta, muitas vezes até
afastando-se ou ameaçando afastar-se de suas funções;
f)
Sente-se
valorizado quando nas funções de comando e dificilmente aceita ser conduzido
pela direcção de outrem;
g)
Aborrece-se
facilmente quando contrariado nos seus desejos ou ideias;
h)
Num trabalho
para obtenção de um resultado comum, acha ou age como se pudesse dispensar a
cooperação dos demais integrantes;
i)
A auto-convicção e a determinação nos seus propósitos é obstinada até mesmo quando
incompatíveis com a situação do momento e a harmonização pretendida;
j)
Teimosia e
birra, revivendo questões ultrapassadas e contendas já superadas, onde sua
opinião não foi seguida.
O personalismo tem sido, na humanidade, um factor
impeditivo ao entendimento entre as criaturas. As lutas e separatismos são
oriundos da inflexibilidade dos homens nas suas ideias e desejos. Dificilmente
alguém cede em benefício da concórdia e renuncia aos seus anseios em proveito
do bem comum. O egoísmo se manifesta acentuadamente nos tipos personalistas
mais endurecidos. Para eles é difícil abrir mão das posições conquistadas e
colaborar com espírito de caridade desinteressada.
O personalismo leva à não-aceitação, obscurece
qualquer compreensão e impede a cooperação. O individualismo pode resultar do
isolamento de alguns do meio comunitário, quer pela posição social, quer pela
crença ou ideias políticas, filosóficas ou religiosas que adopte. Esse
individualismo pode agrupar homens dentro das mesmas tendências e ideias que
lhes são comuns, constituindo, assim, sociedades, castas, seitas, correntes
políticas, sociais e religiosas. Ainda desse modo é factor de divisões,
separações e contendas.
O personalismo desagrega os grupos, destrói a força
de união, enfraquece o espírito de colaboração, incrementa a competição, amplia
a luta pela supremacia, leva à discórdia e às querelas, conduz à agressão, aos
embates e até a guerras.
Ainda não aprendemos a 'viver num clima de
cooperação, de auxílio mútuo, trabalhando juntos e unidos dentro de um
objectivo, visando ao bem comum. O espírito de companheirismo, de
confraternização, só será alcançado quando aprendermos a renunciar e a nos
desprender do exclusivismo individual.
Ainda não entendemos com profundidade que "o
saber não é tudo; o importante é fazer e, para fazer, homem nenhum dispensa a
colaboração e a boa vontade dos outros".
A importância e a superioridade que queremos dar à
nossa participação, algumas vezes no próprio âmbito da tarefa doutrinária, é
precisamente reflexo do nosso personalismo, da necessidade de reafirmação e da
nossa vaidade. Não seremos nós que avaliaremos os resultados dos nossos
trabalhos e aquilataremos a sua importância. O Plano Maior é que terá os meios
de pesar os frutos do empreendimento social ou religioso ao nosso alcance, cuja
relevância muitas vezes enfatizamos na nossa maneira apaixonada de ver as
coisas.
Aquele que varre diariamente o chão, como sua
parcela de auxílio, e nessa incumbência coloca todo o seu amor e
desprendimento, poderá estar dando muito mais do que aquele que ensina por
palavras, escreve páginas brilhantes ou exerce cargos de direcção. Como o
personalismo tem prejudicado o avanço da Doutrina de Jesus! O que ainda vemos
são as divergências típicas de colocações e de pontos de vista, de posições
filosóficas e, em decorrência disso, as divisões, como se animosidades
oferecessem algum resultado prático e objectivo. No tocante à Doutrina dos
Espíritos, entendemos que a mesma dispensa defensores, zeladores ou
guardas-de-honra; ela é verdadeira e evidente por si mesma. No entanto,
precisa, sim, dos exemplos dos seus seguidores, para que seja cada vez mais
respeitada pelos que não a conhecem. Diz-nos o próprio Codificador:
"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos
esforços que emprega para dominar suas más inclinações"
Esse ainda é um desafio, e se preferirem, um
paradigma que pode muito bem qualificar aqueles que se dizem seus adeptos e que
se colocam como seus ardorosos defensores ou líderes, mas que resvalam
exactamente nas exacerbações do personalismo, esquecidos de aplicar o esforço
próprio no domínio das más inclinações. Só pelos frutos do trabalho conjunto,
mais irmanados e menos pretensiosos, portanto menos personalistas, é que
valorizamos em conteúdo a nossa parcela de colaboração, porque primeiro
precisamos nos amar para juntos nos instruir, como ensina o Espírito de
Verdade. (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo VI. O
Cristo Consolador. O advento do Espírito de Verdade).
Peres, N P (1993). Manual Prático do espírita - Guia para a realização do auto-aprimoramento com base na doutrina dos espíritos. 9ª edição. Editora Pensamento. São Paulo, SP
Peres, N P (1993). Manual Prático do espírita - Guia para a realização do auto-aprimoramento com base na doutrina dos espíritos. 9ª edição. Editora Pensamento. São Paulo, SP


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