terça-feira, 26 de junho de 2012

Cuidar do corpo e do espírito




O corpo é o instrumento da alma. Ele é usado pelo Espírito para poder se relacionar com o mundo visível. Investido no corpo, a alma passa a ter limitações. As percepções enviadas pelo Espírito através do corpo ficam de certo modo amortecidas, porque é como se o corpo fosse uma barreira que impede a passagem total das manifestações espirituais. O Espírito é obrigado a servir-se do cérebro para emanar sua vontade, mas um cérebro que nem sempre está em bom estado. É como se o Espírito fosse um ótimo músico obrigado a usar um instrumento imperfeito.

Daí é que vem a necessidade de se cuidar do corpo, para que o nosso Espírito possa dispor de um instrumento em bom estado para pôr em prática as lições aprendidas no mundo espiritual. Existem religiões que crêem que a torturação do corpo é uma maneira de se chegar a perfeição. Acham que, pelo sofrimento das dores carnais da própria flagelação, estaremos nos tornando melhores. Esse tipo de crença é muito comum nos muçulmanos, no Irã, onde flagelam seus corpos com chicotadas nas costas para aliviar os pecados. Não devemos buscar os martírios do corpo, mas devemos ser ávidos pelo martírio da alma. Já os materialistas vêem apenas o corpo humano como uma máquina, que, com a morte, nada mais resta, porque eles julgam saber tudo e não admitem que haja coisa alguma que esteja acima do seu entendimento.


Cuidar do corpo não quer dizer cultuar o corpo. Tudo deve ser feito sem exageros, moderadamente, para que não se cometa o pecado da exibição, alimentado pela vaidade. Segundo Allan Kardec, a ação do Espírito sobre o físico é de tal modo evidente que por vezes se vêem graves desordens orgânicas produzidas por efeito de violentas comoções morais. Por exemplo: compreende-se que um Espírito irascível deve levar um ser a ter um temperamento ruim, mau gênio, de onde se segue que um homem não é colérico porque tenha um mau gênio, mas que é temperamental porque é colérico. Outro exemplo: um espírito mole e indolente deixará o seu organismo num estado de fraqueza em relação ao seu caráter, ao passo que, se for ativo e energético, dará ao seu sangue, aos seus nervos, qualidades bem diferentes. Então conclui-se que a expressão vulgar: “A emoção lhe fez subir o sangue”, não é assim tão sem sentido como acreditávamos.

E como podemos cuidar do Espírito? Talvez seja uma pergunta que muitos fazem e não imaginam que a resposta é bem simples: cuidamos do nosso Espírito através dos bons pensamentos, das boas ações, do nosso comportamento, da nossa boa conduta moral e principalmente da prece. A prece é uma invocação, por ela nós estabelecemos uma relação mental com o ser a quem nos dirigimos. Ela pode ter por objeto um pedido, um agradecimento ou um louvor. Podemos orar por nós mesmos ou pelos outros, pelos vivos ou pelos mortos.



Diz Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, que o homem atrai os bons Espíritos, que o vêm sustentar nas suas boas resoluções e inspirar-lhes bons pensamentos. Adquire assim a força moral necessária para viver e vencer as dificuldades espirituais e físicas. Através da prece ele encontra forças para resistir as tentações e revoltas, tão comum aos seres, quando se encontram doentes.

KARDEC, a (1956) EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ESE – Capítulo XVII, item 11

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